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Esta é a história da Marisa

  • Foto do escritor: projetonaomecalo
    projetonaomecalo
  • 14 de out. de 2018
  • 3 min de leitura


Quando ingressou no 5º ano da escola, a Marisa começou a ser vítima de bullying. Os agressores eram um grupo de alunos mais velhos, do 9º ano. Gozavam com ela pelas roupas que usava porque as achavam feias, velhas e desajustadas. O que eles desconheciam era que muitas das roupas que a Marisa usava eram, na verdade, herdadas de outros familiares. Ela não via qualquer problema nisso mas aquelas agressões verbais diárias, feitas quer em grupo quer individualmente, começaram a realmente a prejudicar a sua autoimagem. Os agressores perseguiam-na no recreio para se poderem rir dela e criticar as suas roupas. Faziam-no em todos os intervalos sem exceção e, enquanto isso, a Marisa tornava-se uma menina cada vez mais introvertida, calada e fechada sobre si própria.


As aulas de Educação Física começaram a ser um pesadelo para a Marisa. No balneário, as suas colegas de turma gozavam com ela por ter pelos e não fazer a depilação. Apesar do seu evidente desconforto, estas injúrias não cessavam e, como resposta, a Marisa deixou mesmo de tomar banho nos balneários da escola e começou a trocar de roupa apenas nas casas de banho individuais.


No 7º ano, a Marisa mudou de escola. Tinha esperança que o bullying acalmasse mas, infelizmente, teve de enfrentar novos agressores. Um grupo de rapazes mais velhos começou a maltratá-la verbalmente, proferindo injúrias como gorda, HORRÍVEL ou “ninguém gosta de ti”. A Marisa recorda com tristeza um episódio que ocorreu na paragem do autocarro em frente à escola: esses rapazes sentaram-se ao pé dela na paragem e, com o intuito de a incomodar, tentaram tocar-lhe à força, sobre a roupa, na região mamária e na região genital. Para se defender, ela levantou-se e abeirou-se de uma adulta desconhecida, pedindo-lhe proteção.


A Marisa recorda-se, também, de um episódio em que sofreu violência física. Ela estava na fila da cantina para almoço quando um rapaz mais velho lhe passou à frente. Ela reclamou com ele, tentando fazer valer os seus direitos, mas o que aconteceu foi que ele a esbofeteou ali mesmo, à frente de todos, com várias pessoas assistir. Porém, ninguém fez ou disse nada em relação ao sucedido.


A Marisa quer contar-nos que é seguida em consultas de psicologia desde o 5º ano de escolaridade. Já passou por vários psicólogos e por períodos em que a sua saúde mental se viu francamente ameaçada. Chegou a exibir comportamentos auto-lesivos que lhe deixaram cicatrizes permanentes, visíveis e invisíveis.


Atualmente, a Marisa trilha um caminho de AMOR PRÓPRIO. Ela começou a cuidar melhor de si própria e perdeu já mais de 20 kg. Aprendeu a estar confortável na sua própria pele e a desvalorizar opiniões alheias depreciativas. Tem um emprego e olha para o futuro com otimismo.



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Não conseguimos ver os olhos da Marisa nesta fotografia. Não lhe vemos os olhos porque a Marisa podia ser qualquer um de nós, ou uma amiga nossa, a nossa filha/irmã/mãe, a nossa colega de trabalho que cumprimentamos todos os dias, etc.


Se és vítima de bullying ou se tens conhecimento de alguém que esteja a passar por essa situação, queremos dizer-te que há coisas que podes fazer para combater este flagelo social. Informa-te em http://www.apavparajovens.pt/pt/go/o-que-fazer2 e não deixes de fazer ouvir a tua voz.


O Projeto NÃO ME CALO quer dar-te os parabéns, Marisa, pela coragem que tiveste ao partilhar a tua história, e por nos ajudares a combater o bullying. Muito obrigado! Não baixamos os braços, estamos a torcer por ti, estamos a torcer por todos.


Comentários


No dia 20 de outubro assinala-se o Dia Mundial do Combate ao Bullying. “A data é um alerta internacional para o problema do bullying com que muitos jovens vivem. Segundo a UNICEF, uma em cada três crianças do mundo, entre os 13 e os 15 anos, é vítima de bullying na escola regularmente.”

© 2018 por NÃO ME CALO.

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