Esta é a história da Ana
- projetonaomecalo
- 14 de out. de 2018
- 2 min de leitura

Desde que ingressou na escola primária, a Ana começou a manifestar dificuldades de aprendizagem e no relacionamento com os pares. Por notarem as suas fragilidades, os colegas começaram a chamar-lhe nomes desagradáveis e a evitar brincar com ela. Em resposta a este comportamento, o professor colocava-os de castigo mas esses castigos serviam apenas para deixar os colegas da Ana ainda mais zangados com ela e intensificar as agressões verbais que sofria durante os intervalos.
A Ana começou também a ter dificuldades de visão e de articulação das palavras devido ao uso de um aparelho dentário especial, o que prejudicou ainda mais a sua aprendizagem. O seu insucesso escolar era atribuído pelo professor a uma falta de competências e os comentários que ele por vezes fazia despoletavam o riso dos colegas e intensificavam o isolamento da Ana.
O bullying verbal e social manteve-se à medida que os anos letivos se foram sucedendo e, ao entrar para o 3º Ciclo do Ensino Básico, começaram também os episódios de bullying físico. Foram empurrões, cotoveladas e pontapés, aliados a insultos verbais como graxista, melga, miserável, CHORONA, caixa de óculos, burra, queixinhas, deficiente, falhada, imbecil, estúpida, inútil, fraca, idiota e feia. Ocorreram, ainda, episódios de danos propositados ao seu material escolar e até de chantagem a troco de comida ou dinheiro.
Conseguem imaginar quantas ofensas não foram repetidamente feitas à integridade da Ana? De facto, o efeito destrutivo destas palavras sobre a sua auto-estima parece ter tido consequências lamentáveis. A par de ser uma aluna com Necessidades Educativas Especiais, a Ana necessitou sempre de acompanhamento psicológico para aprender estratégias para se defender dos seus colegas. Passou por vários psicólogos, tanto escolares como particulares. A Ana quer contar-nos que pensou muitas vezes até que ponto ela não seria responsável ou merecia aquele tratamento.
Mesmo enquanto frequentou o Ensino Superior, a Ana viveu episódios de agressões verbais e foi excluída várias vezes da constituição de grupos de trabalho pelos seus colegas. Devido à sua ansiedade e baixa auto-estima, muitas foram as dificuldades que sentiu durante os estágios.
Atualmente, a Ana mantém seguimento em consultas de psicologia mas é uma mulher DETERMINADA. Tornou-se uma verdadeira guerreira no combate ao Bullying: ela já palestrou em congressos dedicados a este assunto, deu ações de formação, redigiu um artigo científico, está a fazer a sua Tese de Mestrado nesta área e até já escreveu e publicou um livro sobre este tema.
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Não conseguimos ver os olhos da pessoa representada nesta fotografia. Ela não é Ana mas podia muito bem ser. Não lhe vemos os olhos porque a Ana podia ser qualquer um de nós, ou uma amiga nossa, a nossa filha/irmã/mãe, a nossa colega de trabalho que cumprimentamos todos os dias, etc.
Se és vítima de bullying ou se tens conhecimento de alguém que esteja a passar por essa situação, queremos dizer-te que há coisas que podes fazer para combater este flagelo social. Informa-te em http://www.apavparajovens.pt/pt/go/o-que-fazer2 e não deixes de fazer ouvir a tua voz.
O Projeto NÃO ME CALO quer dar-te os parabéns, Ana, pela coragem que tiveste ao partilhar a tua história, e por nos ajudares a combater o bullying. Muito obrigado! Não baixamos os braços, estamos a torcer por ti, estamos a torcer por todos.



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